Como casar um árabe

Lancei o caos na Península Ibérica - AMA

2016.07.10 20:17 Xedro Lancei o caos na Península Ibérica - AMA

Edit para acrescentar um TLDR, já que ficou ainda maior do que esperava.
Antes de começar, não faço ideia se gostam deste género de posts, mas achei que seria uma ideia gira. Este post é baseado no save que estou actualmente a fazer no Crusader Kings 2, um jogo que costuma criar cenários interessantes em termos de história alternativa. Desta vez, aconteceu-me uma sequência de eventos bastante incomum, que me deu vontade de descrever o que tinha passado. Não faço ideia se vão gostar ou não, mas... aqui fica a história alternativa dos primórdios de Portugal. Coloquei um "AMA" no título para o caso de quererem perguntar alguma coisa, mas nem sei se haverá interesse para um AMA... é mais para partilhar uma sequência de eventos fantástica no jogo. :p Aviso: preparem-se para uma parede de texto.
Escolhi começar como Afonso Henriques, em 1128 (primeiro ano em que dá para o escolher). Nesta altura, ele é Duque de Portucale, e o Papa está prestes a declarar uma nova Cruzada. A Península Ibérica está dividida entre o Ducado de Portucale, Reino de Leon, Reino de Aragon, Ducado de Barcelona e o resto pertence aos Mouros.
A primeira Cruzada foi um fracasso. Ainda me juntei e as coisas começaram bem, mas uma revolta espanhola estragou tudo... e o Papa teve de desistir da cruzada, enquanto Leon se dividia em Leon e Castilla.
Uns anos mais tarde, Portugal conseguiu a sua independência. Castilla acabou por conquistar Leon em mais uma revolta, com Aragon e Barcelona a completarem os territórios cristãos. E é nesta altura, por volta de 1150, que surge o ponto de viragem na história da Península Ibérica.
Afonso Henriques promete casar o filho com a rainha de Aragon, criando assim uma aliança. E, aproveitando a guerra que está a decorrer entre os Mouros e Castilla, avança para a conquista do Ducado de Beja.
É um conflito mais demorado do que se esperava, mas Portugal acaba a conquistar este território aos Mouros. A conquista de Castilla é o objectivo principal das forças árabes, pelo que apenas enviam números reduzidos de tropas para a luta contra Portugal, enquanto a sua força principal vai conquistando Castilla.
Com a conquista do Ducado de Beja, com os Mouros ainda envolvidos na guerra com Castilla, e com as forças de Aragon ainda em território nacional, surge mais uma decisão arriscada: quebrar as tréguas e avançar de imediato para a conquista do Algarve.
Seguem-se mais uns anos de conflito violento até que, por volta de 1160, os exércitos Portugueses expulsam os Mouros do Algarve. Portugal assume finalmente o formato que hoje lhe conhecemos. Para Castilla, no entanto, as coisas não estão a correr tão bem... os Mouros atingiram a costa Norte de Espanha, subindo por Valladollid e Burgos. Entretanto, o acordo de casamento do filho de Afonso Henriques, Pedro, com a rainha Beatriz de Aragon foi em frente, com Pedro a tornar-se o Rei de Aragon.
E é aqui, em 1160, que tomo a decisão que irá lançar o caos total na Península Ibérica. Olho para o mapa e vejo as forças de Castilla ocupadas com os Mouros (e vice-versa). Olho para Aragon e vejo que, daqui a duas gerações, deverá passar para o meu controlo (Pedro ainda irá dividir o reinado com Beatriz, mas o filho deles irá herdar Portugal e Aragão). Vejo que ainda posso casar uma das princesas com o Rei de França, para assim conseguir mais uma aliança de peso. E decido ir em frente com mais uma decisão arriscada: avançar para mais uma conquista aos Mouros.
Olhei para o mapa e fiquei indeciso entre avançar para Badajoz ou Sevilla. Acabei por optar por Badajoz. Sevilla é o ponto de entrada dos Mouros na Península pelo que, se optasse pela sua conquista, acabaria por ter de defrontar todos os reforços enviados para a guerra com Castilla. Como pretendia obrigar os Mouros a dividir o esforço entre Portugal e Castilla, decidi manter essa zona livre. Avancei para Badajoz, em conjunto com as forças de Aragon, com as forças Francesas a juntarem-se mais tarde.
Algum tempo depois de começar a guerra de Portugal por Badajoz, surge uma sequência de eventos que faz com que a Península Ibérica se transforme num inferno.
Leon revolta-se contra Castilla porque quer pertencer ao Reino de Portugal. Pedem-me ajuda, mas não a posso dar... porque Navarra e Aragon acabaram de entrar numa guerra civil. Não só perco o apoio das forças de Aragon, como também tenho de os suportar nessa guerra. Enquanto isso, o Papa declara mais uma cruzada contra todo o reino Mouro na Península - com todas as outras potências envolvidas nos conflitos entre cristãos, apenas os Ingleses e o Império Romano enviam forças para a cruzada.
As forças Portuguesas e Francesas lutam contra os Mouros por Badajoz. Castilla luta contra os revoltados de Leon numa frente e contra os Mouros na outra. Aragon e Navarra dividem-se, com o filho de Afonso Henriques a ficar com Navarra. Forças estrangeiras inundam o sul da Península.
Sem apoio, a revolta de Leon acaba derrotada. Mas Castilla não descansa... e, aproveitando a guerra civil entre Navarra e Aragon, avança para a conquista de Navarra. Dou por mim a ter de lutar também com Castilla. Como sou aliado de Navarra, as forças de Castilla avançam para Badajoz para me atacar.
O conflito entre Aragon e Navarra acaba com os dois reinos divididos. Com Portugal e França a derrotarem as forças castelhanas que avançaram para defrontar o exército Português em Badajoz, a situação fica um pouco mais facilitada. Com a situação de Badajoz mais controlada, a maioria do nosso contingente avança para Navarra, para colocar um fim ao conflito. Isto faz com que a conquista de Badajoz seja um pouco mais lenta.
Assim que as nossas forças chegam a Navarra, juntam-se ao exército local e eliminam as forças Castelhanas. Quando penso que este conflito está prestes a chegar ao fim, e posso finalmente dedicar-me às conquistas aos Mouros... eis que o Papa anuncia o fim das cruzadas, com vitória total das forças cristãs.
Como recompensa pela participação na reconquista, Inglaterra recebe as zonas conquistadas, com excepção das que Portugal conquistou em Badajoz, e de dois enclaves Mouros que não se renderam.
Sim, está na altura de tomar mais uma decisão arriscada. Estamos em 1176. Olho para toda a confusão criada. A menos que os castelhanos tivessem perdido propositadamente a guerra com Navarra, devem estar quase sem exército. E Leon está ali tão perto...
Começa um novo conflito entre Portugal e Castilla: a guerra pelo domínio do ducado de Leon. Confirma-se que as forças castelhanas estão de rastos... há alguma resistência inicial, mas Portugal acaba por conseguir conquistar Leon.
Afonso Henriques morre em Dezembro de 1183, Rei de Portugal, Duque de Portucale, Beja, Algarve, Leon e Badajoz. Portugal é uma das maiores potências da Península Ibérica, em conjunto com a Inglaterra. Castilla está bastante enfraquecida, Aragon e Navarra estão separados, Barcelona mantém-se como um Ducado independente, e os Mouros mantêm dois enclaves.
Com a morte de Afonso Henriques, o seu filho Pedro passa a ser Rei de Portugal e Navarra - mas ainda não há união dos reinos, pois Beatriz é a Rainha de Navarra. O meu próximo plano é conquistar Castilla e os territórios Mouros. Assim, quando Alfonso, o neto de Afonso Henriques, for o Rei... avanço para a conquista de Aragon e Portugal irá estender-se do Atlântico aos Pirinéus.
Para terminar, eis aquilo com que provavelmente devia ter começado... o mapa da Península Ibérica em 1184.
Ficou ainda mais longo do que pensei, mas foi divertido de escrever. Espero que tenham gostado. :)
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