Série de televisão meninas

Meus pais acham que eu sou gay

2020.07.29 20:42 AlvagorH Meus pais acham que eu sou gay

(Postei primeiro no desabafos, mas resolvi postar aqui também)
O relato pode ser um pouco longo, mas talvez seja engraçado (ou não).
Pois bem... senta que lá vem história.
Eu sou homem (ah vá), e desde sempre fui muito "sossegado". Não costumo ir pra festas, não bebo, não fumo. Sou bem caseiro e não sou de falar muito. Fui beijar uma menina pela primeira vez (e única desde então), aos 16, quase 17 (vou completar 21 muito em breve). Meus pais ficaram sabendo logo de cara, pois eu virei notícia na escola. O nerdão quieto e ranzinza da sala "pegando" a novinha da outra sala (ela era de um ano anterior ao que eu estava). Uma prima fofoqueira estudava na mesma sala que eu, então a notícia chegou em casa antes de mim.
Até então, eu nunca tinha notado nada de estranho nos meus pais. Eu notava alguns comentários homofóbicos deles as vezes, quando aparecia alguma notícia na televisão. "Ator famoso se declara gay", aí minha mãe "Nossa, que dó. Um homem tão bonito desses ser gay". Ou, no caso do meu pai "Eu tinha um professor que era bicha, mas era muito competente ensinando". Nessa época eu não ligava muito, pois até meados dos meus 14 anos (quando entrei no ensino médio em outra escola e em outra cidade), eu só conhecia duas pessoas que eram homossexuais e assumiam, e eu não gostava deles.
Eram dois caras muito barraqueiros e barulhentos, que zoam todo mundo. Basicamente, é o tipo de comportamento que eu sempre preferi evitar. Eu sou bastante tímido, então ter amigos próximos que chamem a atenção sempre foi bastante negativo pra mim. Logo, durante um bom tempo eu fiz a associação idiota "gays = chatos e barulhentos" e passei a evitar eles. Isso mudou bastante quando eu mudei de escola, onde as pessoas tinham valores bastante diferentes do qual eu estava acostumado. Foi um processo longo, mas o preconceito que eu tinha foi diminuindo aos poucos. Mais ou menos nessa época do ensino médio, eu comecei a me incomodar com os comentários dos meus pais, mas sempre ficava na minha para não causar confusão.
Voltando ao dia que eu perdi o BV. Bom, eu era um adolescente com muita testosterona sobrando e beijei uma menina e pude apalpar uma bunda diferente da minha sem tomar um tapão na cara. Até então, tava tudo indo muito bem. Eu era bastante amigo dessa pessoa antes de ficarmos, então eu já gostava bastante dela e me iludi muito com o rumo das coisas. Pensei que daria certo, que começaríamos a namorar e tal. Até sobre o nome de cachorros a gente falava hahahah.
Mas, a guria tinha outros planos, tava apenas curtindo o momento e logo passou pra outra. Durou um mês e meio ou dois. Então, após um ""chifre"" colossal, já que ela ficou com o ex e passou o rodo na escola ao mesmo tempo em que ficava comigo, a gente parou de se falar. De um jeito imaturo, talvez, pois eu juntei todas as minhas frustrações e joguei na cabeça dela, sendo que ela já havia deixado claro que a gente não tinha nada sério e eu continuava insistindo.
É claro que, graças a minha querida prima fofoqueira, meus pais souberam que eu e a fulaninha não estávamos mais nos falando, e mesmo assim perguntavam sobre ela em toda oportunidade que tinham. Nisso, eu ouvi alguns comentários estranhos da minha mãe, ela dizia que na escola onde eu estava tinham muitas pessoas que namoravam gente do mesmo sexo e eu tinha que tomar cuidado. Eu estranhei, mas como sou lerdo, não entendi na hora, e resolvi conversar sobre isso com um amigo.
Quando eu percebi que as coisas não estavam indo bem (ainda durante aquele mês e meio), eu usava bastante as redes sociais e conheci um cara que aguentou meus desabafos por bastante tempo, sempre me dando conselhos (e umas broncas haha). Eu comentei sobre a fala da minha mãe com ele e ele respondeu "Menino, a sua mãe acha que você é gay". Eu comecei a rir horrores naquela hora, mas também fiquei bastante inconformado. Eu me perguntava "Por que?". Não que isso me afetasse, eu sempre achei graça e vez ou outra eu conto esse fato pra algum amigo. Sempre ficou a incógnita sobre o porque que os meus pais pensavam isso, e ela ainda existe porque recentemente um cara demorou para acreditar que eu não sou gay, e eu e uma amiga rimos muito dessa situação.
Esse amigo que aguentava meus desabafos é gay. É o primeiro amigo homossexual que eu tive e a primeira pessoa sobre quem eu conversei abertamente sobre sexualidade. Ele é bastante interessado por ciência e psicologia, assim como eu, e me ensinou não só o lado social (a experiência dele sendo gay, descobrindo que gostava de homens e toda a confusão que isso gerou na sua infância/adolescência), como o lado científico da coisa, Escala de Kinsey, Freud e afins. Nessas conversas, eu tive a certeza de que sou hétero, mas acabo não me comportando como é esperado de um.
Tenho muitos primos na casa dos 20, quase todos namorando e alguns morando junto e quase casando com alguém. Vão pra festas, bebem, fumam, dão dor de cabeça pra família. As vezes um namoro termina e sempre aparece um agregado novo depois de um tempo, em média eu tenho um "primo" ou "prima" nova por um ano e meio, no máximo dois. Aí, passa alguns meses e o ciclo se repete.
E eu aqui, o primo solteiro que estuda e não traz menina nenhuma pra casa (salvo em raras ocasiões quando a minha melhor amiga aparece aqui) nem nas reuniões de família. O primo estranho que compartilha muitos posts pró-feminismo e contra homofobia. Cansei de ouvir perguntas sobre namoradas vindo de tios e até da minha avó materna.
Acho que algumas pessoas até pensam que eu escondo alguma coisa dos meus pais. Uma vez eu fui em um churrasco na casa de um amigo e a mãe dele me pediu ajuda para fazer uma mistureba alcoólica qualquer, eu disse que não sabia como fazer e ela não acreditou. Meu amigo precisou ser "testemunha" de que eu não bebo nada e que estava lá só pelo churrasco mesmo hahahaha
E aqui, temos duas cerejas nesse bolo.
A primeira é que o meu melhor amigo, o qual eu conheço desde a segunda série, há pelo menos 14 anos, começou a trabalhar na mesma empresa que a minha mãe. Ele é uma pessoa que eu costumo passar bastante tempo junto, já que nós fazemos trilhas de bike (ou fazíamos, antes da pandemia começar). Como a minha cidade tem grandes áreas verdes, essas trilhas demoram porque a gente sempre tenta explorar um caminho novo. Enfim, durante o trabalho dele, por algum motivo surgiu o boato de que ele é gay. Eu não sei nada sobre isso, ele próprio nunca me disse nada, e nós conversamos sobre muita coisa. Mas a minha mãe veio correndo me contar quando esse boato surgiu. Ela deve ter "adorado" somar 1+1 nessa ocasião.
A outra é meu pai. Tão preocupado em fazer comentários e cuidar da sexualidade dos outros, adorador do capitão cloroquina, e outro dia eu precisei fazer algo no celular dele e percebi que tinha uma aba aberta naquele site com X, e na barra de pesquisas estava escrito, adivinhem? "Bicha" hahahahahaha
Bom, como eu disse, não me incomoda o fato de acharem que eu sou gay. Não faz diferença nenhuma pra mim, na verdade, eu faço piada com isso e boa. O que me afeta nessa história é que eu tenho agora muitos amigos que são "Do Vale" e eu sinto que nunca vou poder convidar eles para me visitar aqui em casa. Tenho medo que ouçam alguma merda aqui.
Enfim, é isso. A quarentena está me fazendo sentir a necessidade de desabafar sobre alguns assuntos e esse foi um deles. Obrigado por ler até o final.
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2020.07.29 20:24 AlvagorH Meus pais acham que eu sou gay

O relato pode ser um pouco longo, mas talvez seja engraçado (ou não).
Pois bem... senta que lá vem história.
Eu sou homem (ah vá), e desde sempre fui muito "sossegado". Não costumo ir pra festas, não bebo, não fumo. Sou bem caseiro e não sou de falar muito. Fui beijar uma menina pela primeira vez (e única desde então), aos 16, quase 17 (vou completar 21 muito em breve). Meus pais ficaram sabendo logo de cara, pois eu virei notícia na escola. O nerdão quieto e ranzinza da sala "pegando" a novinha da outra sala (ela era de um ano anterior ao que eu estava). Uma prima fofoqueira estudava na mesma sala que eu, então a notícia chegou em casa antes de mim.
Até então, eu nunca tinha notado nada de estranho nos meus pais. Eu notava alguns comentários homofóbicos deles as vezes, quando aparecia alguma notícia na televisão. "Ator famoso se declara gay", aí minha mãe "Nossa, que dó. Um homem tão bonito desses ser gay". Ou, no caso do meu pai "Eu tinha um professor que era bicha, mas era muito competente ensinando". Nessa época eu não ligava muito, pois até meados dos meus 14 anos (quando entrei no ensino médio em outra escola e em outra cidade), eu só conhecia duas pessoas que eram homossexuais e assumiam, e eu não gostava deles.
Eram dois caras muito barraqueiros e barulhentos, que zoam todo mundo. Basicamente, é o tipo de comportamento que eu sempre preferi evitar. Eu sou bastante tímido, então ter amigos próximos que chamem a atenção sempre foi bastante negativo pra mim. Logo, durante um bom tempo eu fiz a associação idiota "gays = chatos e barulhentos" e passei a evitar eles. Isso mudou bastante quando eu mudei de escola, onde as pessoas tinham valores bastante diferentes do qual eu estava acostumado. Foi um processo longo, mas o preconceito que eu tinha foi diminuindo aos poucos. Mais ou menos nessa época do ensino médio, eu comecei a me incomodar com os comentários dos meus pais, mas sempre ficava na minha para não causar confusão.
Voltando ao dia que eu perdi o BV. Bom, eu era um adolescente com muita testosterona sobrando e beijei uma menina e pude apalpar uma bunda diferente da minha sem tomar um tapão na cara. Até então, tava tudo indo muito bem. Eu era bastante amigo dessa pessoa antes de ficarmos, então eu já gostava bastante dela e me iludi muito com o rumo das coisas. Pensei que daria certo, que começaríamos a namorar e tal. Até sobre o nome de cachorros a gente falava hahahah.
Mas, a guria tinha outros planos, tava apenas curtindo o momento e logo passou pra outra. Durou um mês e meio ou dois. Então, após um ""chifre"" colossal, já que ela ficou com o ex e passou o rodo na escola ao mesmo tempo em que ficava comigo, a gente parou de se falar. De um jeito imaturo, talvez, pois eu juntei todas as minhas frustrações e joguei na cabeça dela, sendo que ela já havia deixado claro que a gente não tinha nada sério e eu continuava insistindo.
É claro que, graças a minha querida prima fofoqueira, meus pais souberam que eu e a fulaninha não estávamos mais nos falando, e mesmo assim perguntavam sobre ela em toda oportunidade que tinham. Nisso, eu ouvi alguns comentários estranhos da minha mãe, ela dizia que na escola onde eu estava tinham muitas pessoas que namoravam gente do mesmo sexo e eu tinha que tomar cuidado. Eu estranhei, mas como sou lerdo, não entendi na hora, e resolvi conversar sobre isso com um amigo.

Quando eu percebi que as coisas não estavam indo bem (ainda durante aquele mês e meio), eu usava bastante as redes sociais e conheci um cara que aguentou meus desabafos por bastante tempo, sempre me dando conselhos (e umas broncas haha). Eu comentei sobre a fala da minha mãe com ele e ele respondeu "Menino, a sua mãe acha que você é gay". Eu comecei a rir horrores naquela hora, mas também fiquei bastante inconformado. Eu me perguntava "Por que?". Não que isso me afetasse, eu sempre achei graça e vez ou outra eu conto esse fato pra algum amigo. Sempre ficou a incógnita sobre o porque que os meus pais pensavam isso, e ela ainda existe porque recentemente um cara demorou para acreditar que eu não sou gay, e eu e uma amiga rimos muito dessa situação.
Esse amigo que aguentava meus desabafos é gay. É o primeiro amigo homossexual que eu tive e a primeira pessoa sobre quem eu conversei abertamente sobre sexualidade. Ele é bastante interessado por ciência e psicologia, assim como eu, e me ensinou não só o lado social (a experiência dele sendo gay, descobrindo que gostava de homens e toda a confusão que isso gerou na sua infância/adolescência), como o lado científico da coisa, Escala de Kinsey, Freud e afins. Nessas conversas, eu tive a certeza de que sou hétero, mas acabo não me comportando como é esperado de um.
Tenho muitos primos na casa dos 20, quase todos namorando e alguns morando junto e quase casando com alguém. Vão pra festas, bebem, fumam, dão dor de cabeça pra família. As vezes um namoro termina e sempre aparece um agregado novo depois de um tempo, em média eu tenho um "primo" ou "prima" nova por um ano e meio, no máximo dois. Aí, passa alguns meses e o ciclo se repete.
E eu aqui, o primo solteiro que estuda e não traz menina nenhuma pra casa (salvo em raras ocasiões quando a minha melhor amiga aparece aqui) nem nas reuniões de família. O primo estranho que compartilha muitos posts pró-feminismo e contra homofobia. Cansei de ouvir perguntas sobre namoradas vindo de tios e até da minha avó materna.
Acho que algumas pessoas até pensam que eu escondo alguma coisa dos meus pais. Uma vez eu fui em um churrasco na casa de um amigo e a mãe dele me pediu ajuda para fazer uma mistureba alcoólica qualquer, eu disse que não sabia como fazer e ela não acreditou. Meu amigo precisou ser "testemunha" de que eu não bebo nada e que estava lá só pelo churrasco mesmo hahahaha
E aqui, temos duas cerejas nesse bolo.

A primeira é que o meu melhor amigo, o qual eu conheço desde a segunda série, há pelo menos 14 anos, começou a trabalhar na mesma empresa que a minha mãe. Ele é uma pessoa que eu costumo passar bastante tempo junto, já que nós fazemos trilhas de bike (ou fazíamos, antes da pandemia começar). Como a minha cidade tem grandes áreas verdes, essas trilhas demoram porque a gente sempre tenta explorar um caminho novo. Enfim, durante o trabalho dele, por algum motivo surgiu o boato de que ele é gay. Eu não sei nada sobre isso, ele próprio nunca me disse nada, e nós conversamos sobre muita coisa. Mas a minha mãe veio correndo me contar quando esse boato surgiu. Ela deve ter "adorado" somar 1+1 nessa ocasião.

A outra é meu pai. Tão preocupado em fazer comentários e cuidar da sexualidade dos outros, adorador do capitão cloroquina, e outro dia eu precisei fazer algo no celular dele e percebi que tinha uma aba aberta naquele site com X, e na barra de pesquisas estava escrito, adivinhem? "Bicha" hahahahahaha

Bom, como eu disse, não me incomoda o fato de acharem que eu sou gay. Não faz diferença nenhuma pra mim, na verdade, eu faço piada com isso e boa. O que me afeta nessa história é que eu tenho agora muitos amigos que são "Do Vale" e eu sinto que nunca vou poder convidar eles para me visitar aqui em casa. Tenho medo que ouçam alguma merda aqui.
Enfim, é isso. A quarentena está me fazendo sentir a necessidade de desabafar sobre alguns assuntos e esse foi um deles. Obrigado por ler até o final.
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2019.12.10 17:46 throwawaysemnome Minha irmã quer se matar e se provavelmente eu tiver a mesma vida que ela teve vai dar merda pra mim também

essa vai ser a 43423423 e talvez a ultima throwaway q vou criar pra esse subreddit, e o post mais profundo e fudido meu

Eu xxF (não importa a idade agora pra não falarem merda) entrei de ferias semanas atras, eu nem pra lembrar eu consigo, i mean, desde quando eu tava tendo aula eu não queria entrar de férias, desde ano passado eu fui assim, mas esse ano eu realmente não queria, não queria mesmo. Eu, se eu dizer minha rotina, já ira ter pessoa já reconhecendo a historia que ja desabafei aqui, e não liguem pra esses ultimos desabafos, aqueles não importam, eram só surtos mal feitos, vamos láá, acordar ir pra escola blablabla ficar no computador de tarde e de noite, sabado ficar no computador quando eu estiver acordada, umas... 12 horas por dia? domingo mesma coisa? quero dizer, minha vida inteira foi assim, mas lembro que quando criança meu pai colocava só 5 horas por dia num coisa lá do windows 7 controle dos pais, e eu nem me lembro o que fazia quando isso acabava, eu lembro mais profundamente na infancia eu brincando com meu patinete em volta da casa, nao saia na rua nem nada, lembro mais profundamente eu indo pra rua pra brincar com umas menininhas da casa da frente, e meus pais me chamando pra ir de volta pra casa, porque NaO pOdIa. eu lembro de minha mãe mandando eu roubar a mochila das meninas da frente q ia ser jogado no lixo, na verdade, eu nem sei... a mochila só tava la na frente da casa, eu nem sei... foi tudo culpa da minha mãe... eu odeio esse passado e me sinto um lixo lembrando isso... eu nem era tão pobre assim, se mil reais por mes pra 4 pessoas era pouco... e minha intenção aqui nem era desabafar meu passado... eu me odeio agora
eu só quero pular pro presente agora, as pessoas tem que me reconhecer pelo presente, eu sou uma boa pessoa agora por fora, eu sou extrovertida quando meus amigos estão por perto, na escola, eu tive que conviver com um outro grupinho que nem me socializar eu conseguia direito pois de lá eu só conhecia meu uh, namorado? (eu queria só ficar com ele mas, quis namorar e agora nem me respondendo mais no messenger está, e eu nem conhecia faz 1 semana e ele ja me queria e eu aceitei por pressão e porque ele era uma boa pessoa numa escola cheio de gente que não presta, e olha lá que eu ja fiz um post aqui falando isso, de qualquer forma, namoro em geral é superestimado)

presente agora -
quando começou as férias eu fiquei só fazendo as mesmas merdas, a diferença é que eu agora acordava mais tarde, tava indo até tudo bem, ''aprendi'' a conviver com as férias DESPERDIÇANDO MINHA VIDA, QUE ESSE APRENDI TA MAIS PRA ME ILUDIR, um webamigo (tomara que ele realmente nao leia esse desabafo, ele pode facilmente se reconhecer aqui, ele usa reddit, se vc de alguma forma ler isso, esqueça) meses mais velho que eu falava que foi em festas com a familia academia etc etc eu comecei a ignorar ele, eu não gostava de ouvir aquilo, tipo, inveja? mas ao inves de raiva eu só queria chorar, e foi o que eu fiz, ele depois de muitas tentativas de oi veio logo me chamar em outra conta que eu era ativa, e eu nao tive escolha, eu fiz drama só mandando pontos e falando que ele me deixava triste, igual um adolescente que quer atenção, mas n entendeu e eu só quis deixar isso de lado, e falar de outros assuntos, eu so chorei quando eu fiquei falando que tal coisa deixava triste, eu nao posso chorar porque meu quarto é publico, qualquer um pode ir aqui quando quiser porque o guarda roupa que tem aqui é de todos. então ja veio minha mae se preocupando, e como esperado, ela já veio falando : ''O cOmPuTaDoR eStRaGoU?''

parece bobo, mas aquilo me ferrou ainda mais, pode ser qualquer coisa que posso estar, mas, alguem pensar que eu estar chorando por causa do notebook estragar, me faz pensar que minha vida inteira ta sendo mesmo ficar na frente de uma tela apertando botoes. É isso, só ter uma vida e essa vida ser só isso.
De repente eu percebi minha mãe me mimando dando comida, um tipo lá de chocotone e fez pipoca, que bom mimar um sedentário com coisas nada saudaveis, ja sentia dor no peito mesmo dias atrás (mais uma referencia a outro desabafo)
ok, isso tudo foi ontem, dormi, acordei e fui dormir no quarto da minha mãe porque minha irmã tava se mexendo na cama e isso me deixava desconfortavel
agora que vem a merda
hoje acordei de novo com minha mãe e irmã falando alto sobre como o namorado dela quis um tempo ou algo do tipo, tava uma discussão normal, ela falando como ela tem raiva de tudo e se odeia, mãe perguntando o porque da cara dela estar vermelha em certos momentos etc etc
me deu vontade de chorar de novo por ela estar se preocupando com namorado sendo que ela tem emprego e vai pra onde quiser, enquanto minha vida literalmente depende dos meus pais (minha irmã é 21F e esqueci de falar que também minha infancia do 1 á 5 série foi chorar todos os dias na sala enquanto minha turma inteira, inclusive a professora do 1 e 2 ano, fazer bullying comigo, a minha nova escola do fundamental 2 quase ninguem me conhecia entao ninguem mais fazia bullying comigo, mesmo as 2 escolas sendo bem pertas, mesmo assim, eu nao sei o que eu tenho pra ser tao sensivel assim, mas agora tem motivo ainda).
Então, com um pai que trabalha e fica a noite inteira jogando, uma mãe que cuida da casa e vai assistir televisão quando não tem nada pra fazer, o que eu vou virar? huh? comecei a chorar no travesseiro
depois de tanto blablabla que discutiram, minha irmã começou a chorar, falando de novo que se odeia, que toda a raiva dela é biológica, de dentro da cabeça, que não produz mais felicidade, eu realmente nao me lembro muito por isso to falando tao vagamente.
e agora uma coisa inesperada pois sempre achei que minha mae entende que depressão não é frescura, que se preocupou comigo pensando que eu teria um dia, minha mae começou a falar merda
ela começou a falar com raiva que pelo menos minha irmã tem saúde e que isso que importa, começou a comparar minha irmã com minha prima que sei lá o que engravidou perdeu namorado e mesmo assim seguiu com a vida, que tem que ter força de vontade
mas acho que nem tudo que ela falou foi merda, eu não sei diferenciar desculpa, mas cada pessoa tem sua vida, não precisa ficar se comparando com pessoa com vida pior, isso não vai adiantar nada, minha mãe começou a falar que viu a vida inteira a mãe dela apanhar, falando como se fosse normal.
agora minha mãe vai falar com meu pai, minha mãe falou que meu cunhado terminou o namoro com minha irmã q queria ficar sozinho, que ele era bomzinho de boas com a vida e minha irmã um tanque de guerra, que computador da depressão (finalmente percebeu isso, minha irmã trancada em casa, não tipo, realmente computador, também celular, porque não tinha nada pra fazer alem disso antes de conseguir emprego e namorado), e quando minha mãe falou que minha irmã queria se matar meu pai falou : ''AhHhHh Vai coMeÇaR cOm O DrAmA'' ''FiQueI dESDe PeQUEnO TrABaLhANDO'' e pelo menos começaram a falar de psicologo, meu pai falando sobre espiritismo falando que quando se matar n vai pro paraiso e sim vai ser uma alma penada bla bla bla (ai ai gente ''religiosa'' ou algo do tipo é foda)

mãe : ''se tem que conversar com ela''
pai : ''N VOU (?? n sei mais q ele falou ele tava com a boca cheio de comida)
mãe falou mais algo que nao escutei porque meu barulho de teclado n deixou escutar
meu pai começou a falar que minha irmã foi criado tudo na mordomia e que a vida é sofrer
sinceramente, MEU PAI SÓ FALA MERDA, primeiramente, não é porque os pais teve a vida ruim que o filho vai ter também, na verdade nem sei como foi a vida dele antigamente, mas acha, acha que isso vai ser um loop infinito? um bom pai é assim? desejar a mesma coisa que ele passou pro filho? assim o filho desejar pro filho a mesma coisa? e assim vai indo? eles não abriram a mente pra ver como é tudo hoje em dia, eles ferram com a mente de uma pessoa deixando trancado em casa e chamando de vagabunda, pra depois falar que foi tudo na mordomia? sinceramente, devem gostar de sofrer, ou melhor, ja acostumaram sofrer, não é tipo, sofrer mesmo, mas parece que falar : ''todos vamos morrer um dia'' vai abrir a mente deles pra dizer que a vida não é só trabalhar e ficar preso em casa, i mean, mesmo minha irmã ja tendo 21 anos e precisando trabalhar, acha que ela fez algo de bom antes? que se divertiu na unica epoca da vida de se divertir? não, FICAR EM CASA NÃO É VIVER, desculpa se alguem acha que isso é frescura MAS EU TO PERDENDO A CABEÇA COM ISSO, a menina mesmo livre agora, teve um passado desperdiçado, ela falava que aguentou 20 anos por isso, imagina 20 anos desperdiçado, e eu, 13, parabens descobriram minha idade, 13 anos sentada e indo pra escola, irra.
na minha sincera opinião sobre o namoro dela, ela amava mais o namorado do que eu, e isso era o certo, o namorado dela dava presentes toda hora, a estante do nosso quarto é quase tudo presente dele ou da mãe dele, o namorado dela iluminou a vida dela, e então ela gastava o dinheiro do emprego dela tambem dando presentes pra ele, agora tinha chegado um teclado que ela iria dar pra ele, mas como ele terminou o namoro, ou deu um tempo sei lá, nem sei o que vai acontecer, o teclado tinha custado uns 200 reais, eu pensei que ela iria comprar pra mim e eu fiquei com raiva, quem gastaria 200 reais num teclado? mas era pro namorado dela, isso foi mais entendivel, depois de tanto mimo que ele deu pra ela, ela tem que retribuir, ela até perguntou pra mim o que eu queria de natal, já que meus pais tão pouco se fudendo pra mim, mas era no maximo 100 e eu queria algo de uns 200 (era uma mesa digitalizadora, eu queria uma pra eu continuar desenhando pois desenhar no mouse é impossivel, quem é artista sabe, eu desenho faz 5 anos e eu perdi totalmente o animo de desenhar, pois ate pessoas que nem sabem desenhar ja compram uma e isso é uma grande injustiça, e eu poderia fazer comissions até pra ganhar dinheiro com isso, mas nãoo, se eu tivesse uma mesa digitalizadora eu iria ganhar muito animo pra fazer isso) ser pobre é foda, nao quis nada mesmo.
o namorado dela era de boas com a vida porque deve ser classe media, tudo de boas, bla bla bla, casa boa, ja minha irma tem uma vida merda, agora, se vê o triangulo que isso fez?

irmã com vida merda > irmã acha namorado e emprego > irmã perde namorado por causa da vida merda q era o passado que não traz mais nenhuma felicidade pra ela hoje em dia, pois fica com raiva e nem sei da historia direito e o que ela fez pro namorado.

nossos pais tao fudendo com nossa vida, se for frescura, é só nós que somos sensiveis assim, é normal ficar com uma vida assim? não sabia.

vontade de ela voltar com o namoro e eu ser o filho deles, sinceramente.

morar numa casa que todos dão risada e pais que querem ver todos sofrerem é... torturante, se eu ficar aqui, vou ficar literalmente chorando as férias inteiras
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2019.11.04 23:10 PeruActivo O autoclismo

Estávamos em Manila e tínhamos decidido ir ao Chica Menuda, um restaurante de estilo espanhol, com empregados trajados a rigor, com todos os apetrechos e apeiros distintivos da mais pura hispanidade andaluza.
As serventes saraquitavam num vaivém atarefado, pautado pelo ruge-ruge vermelho vivo dos folhos dos seus vestidos de sevilhana. Uma rosa vermelha, encarrapitada nos longos e lustrosos cabelos negros apanhados de uma delas, cumprimentou-nos sorridente, quando se aproximou da mesa para nos perguntar o que íamos tomar. E um garrido fajuto, desenhado à pressa no canto do lábio superior, encarquilhou-se de dúvidas e hesitações, quando nos tentou explicar num inglês mal-amanhado, e depois num espanhol pior ainda, o conteúdo da ementa.
O repasto foi chegando em grandes e repimpadas travessas. A refeição transcorreu pela noite dentro. As copadas de vinho cantavam de alegres e sucediam-se umas às outras de enfiada. A animada cavaqueira transbordava da mesa, em estrondosas barrigadas de riso ou nos exaltados arroubos de emoção que atonavam na voz dos que contavam desbragadas pataratas românticas ou ousados relatos das suas aventuras rocambolescas pelo sudeste asiático.
Aos poucos e poucos, a noite foi avançando. A lufa-lufa de sevilhanas e de homens de chapéu de aba e jaquetão negros, a estugar pelas coxias das mesas amainou. O restaurante começou aos poucos esvaziar-se. A animação da conversa serenou-se naturalmente e o ambiente adquiriu um natural estado de acalmia divertida, mas ronceira. E eis senão que, depois daquele opíparo banquete, de proporções dignas de um festim romano, senti o chamamento da natureza a roncar dentro de mim. Para poupar os meus convivas aos nada sedutores borborigmos que me tamborilavam no bombo intestinal, escapuli-me de mansinho, rumo ao trono latrinário.
Serpenteio por entre as mesas, de nádegas apertadas e passos curtos. Passo por um servente, que me faz um cumprimento baixando a aba do chapéu e que, depois de um aflitivo impasse linguístico em que lhe tento perguntar pelo WC ou os Lavabos e ele me encara com interrogações franzidas nos olhos, lá me indicou a casa de banho, ao fundo da sala, por um vão de escadas acima.
Entro pela porta que diz caballeros, cifrada com a silhueta de um toureiro. O interior é sumário. Resume-se a uma sanita, com um autoclismo de puxar, que pende do tecto por uma corrente e se remata numa esfera dura de plástico negro na ponta. Não me ponho com grandes contemplações, levanto o tampo, sento-me e ponho fim àquele aperto.
Depois de estar despachado o serviço, quando vou a puxar pela corrente do autoclismo, já a contar com o alívio espiritual do ruído da descarga, fico só com o inquietante tlaque mecânico da alavanca interna do autoclismo a bater no sifão e mais nada. O autoclismo não descarrega.
Torno a puxar da corrente com mais força. Nada.
Dou uma série de puxões. Os elos da corrente chocalham a bater uns nos outros, a alavanca do mecanismo martela meia dúzia de tlaques, mas o refluxo da água, nem vê-lo nem ouvi-lo.
Fico pasmo a olhar para a sanita, para o poio flutuante que me encara com uma impertinência indignada. “E agora?” penso de mim para mim.
Vou-me embora? Deixo isto assim?” relanceio para a porta.
Não, não posso fazer isso. Está cá pouca gente, eles vão saber logo que fui eu… Além disso, tu tens essa cara-podre de sair lá fora, como se não fosse nada contigo? És uma dessas pessoas?
Inspiro fundo, para aclarar as ideias, mas o miasma fétido inunda-me as narinas e traz-me lágrimas aos olhos.
Tenho de avisar alguém, para “tratar” disto.
Saio da casa de banho e, à boca das escadas, procuro avistar algum dos empregados. O mesmo homem que me indicara a casa-de-banho ainda estava ali postado, no mesmo sítio de antes. Envergonhadamente, aproximo-me dele tripetrepe. Toco-lhe no ombro e, com uma expressão compungida, incapaz de o encarar, balbucio qualquer coisa em inglês para lhe dizer que o autoclismo não funciona. O homem não me entende. Com um sorriso solicito, torna a apontar-me lá para cima e diz-me num sotaque cerrado «yes, toilet», enquanto acena vivamente. Tento explicar-lhe que não é isso. Já não estou à procura do quarto-de-banho. A expressão do homem desfaz-se em total desentendimento. Tento explicar-lhe por gestos, mas os meus dotes de mimo são deploráveis. De maneira que parei a meio de uma rebuscada explicação, em que estava a fazer com a mão esquerda um punho aberto (em forma de copo) – neste caso a sanita- e com dois dedos da mão direita que entravam e saiam do copo/sanita – a tentar simbolizar a água do autoclismo. Até porque o homem estava claramente a tentar conter o riso.
Pedi-lhe então por gestos que me seguisse até ao quarto-de-banho, para lhe poder mostrar o problema. Mas aí o homem até deu um passo para trás, de olhos arregalados e cenho cerrado, como se lhe tivesse acabado de fazer uma proposta obscena. «No, no» respondeu-me, gesticulando de dedo espetado, enérgica e vivamente. Apontou-me ainda para uma das colegas, vestida de negro, advertindo-me, porém, com um gatimanho do polegar a esfregar no indicador e no dedo do meio estendidos, que teria de haver alguma espécie de contrapartida monetária para aquilo que ele achava eu estava a propor.
Fiz que «não» veementemente, que «não era isso». E depois de muita insistência, lá consegui convencer o homem a acompanhar-me, a contragosto, ao interior do quarto-de-banho dos homens. Engoli em seco e, com o dedo esticado, apontei para o interior da sanita. O poio boiante cumprimentou o empregado com uma cara de poucos amigos. O homem encarou-me com uma mescla surrealista de horror, surpresa e indignação. No trejeito que lhe ocupou o rosto algo exclamava «não me pagam que chegue para aturar estas merdas». Depois, teatralmente assinalei o autoclismo, como uma menina de um concurso de televisão é capaz de passear as mãos em redor de uma montra de prémios.
E quando fui finalmente puxar da corrente, para lhe explicar a avaria, uma descarga de água jorrou pelo sifão e fez desaparecer o poio pelo cano abaixo.
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2016.11.16 17:52 popeyers Ter tudo e não ter nada... Pensamentos suicidas, fraco controle emocional, desafeto e ser um estudante fracassado!

A muito tempo me sinto mal com a situação que me encontro então farei uma descrição sobre a minha vida até aqui: Nasci em uma família bem estruturada do interior do Paraná, mas a condição que me encontro é apenas “ok”, situação financeira normal sem nada a reclamar. Poderia ter sido bem melhor se meu pai tivesse ajudado minha mãe nesse quesito. Meu pai era basicamente um pilantra; convenceu minha mãe que havia cursado Direito mas que estava difícil arranjar emprego, minha avó com sua experiência de vida sempre foi contra esse relacionamento, por isso minha mãe não teve ajuda dela para se estabelecer após se formar em Serviço Social.
Antes de eu nascer e minha mãe buscar “fugir” do controle de seus pais, os meus começam a ficar juntos, se mudaram para outra cidade e abrem pequenas empresas bem-sucedidas na área de informática (com condições financeiras invejáveis, minha mãe me conta sobre os bons carros, piscinas, etc). Meu pai era um homem muito inteligente apesar de seu caráter, tinha conhecimentos avançados na área de tecnologia, principalmente porque nesta época ela apenas estava surgindo no solo brasileiro, consequentemente falava bem inglês pois estas matérias se interligavam antigamente. Logo os empreendimentos abertos eram sobre aulas desde inglês até programação (passando por coisas mais básicas como datilografia). Como estes eram estabelecidos em cidades pequenas do interior o único com tal conhecimento era meu próprio pai, sendo este o professor enquanto minha mãe cuidava da administração, limpeza e afins. Meu pai era extremamente preguiçoso e após conquistar uma grande clientela ele parava de prestar serviço, os dois começavam a ficar mal falados e então ele obrigava minha mãe a meter o pé para uma próxima cidade, onde tudo recomeçava. Também gostaria de acrescentar que meu pai era “street smart” então ele enrolava as pessoas com discursos o que ajudou bastante essa vida de gato e rato. Pulando um pouco a história, após eles terem conquistado tal má fama que não havia mais aonde eles fugirem, decidem voltar a cidade inicial (que é onde vivo até hoje). Aqui já mal falados era impossível fazer picaretagem, meu pai passou apenas a ficar em casa mexendo no computador, enquanto minha mãe trabalhava por salários medianos, graças ao curso superior. Neste meio tempo seu primeiro filho nasce, meu único irmão. Após um ano e meio minha mãe engravida de mim, gravidez indesejada por meu pai que tenta a forçar ela a abortar (inclusive dando uma pílula adquirida sem procedência por um traficante sem ela saber, ela diz que sentiu o que aquilo era e fingiu ingerir). Minha mãe sempre foi guerreira sabe? Então quando eu nasci ela teve pessoas conquistadas por confiança que a ajudaram a ir ao hospital e fazer tudo corretamente, já que meu pai se recusava a lhe levar. Eu sou um garoto loiro, de olhos azuis e de descendência germânica. Minha mãe diz que quando ela me levou para casa e meu pai me viu pela primeira vez ele desabou em lágrimas, dizendo que era a coisa mais linda que ele havia visto, parecendo um anjo e foi logo pedindo desculpas por tudo o que fez (este ato fez ela aguentar ele mais tempo).
Na minha infância inteira meu pai apenas fingia trabalhar, chegou a alugar um escritório para jogar jogos e fazer outras coisas que nunca saberemos. Não era de beber, mas seu vício em computadores e o ódio que ele carregava por tudo fazia com que ele batesse muito na minha mãe, bater a ponto de ela ficar arrebentada e afins. Pulando um pouco mais a história um dia eu ouço eles dois brigando, o que era muito comum, eu com minha inocência já havia descoberto que se eu fosse no mesmo cômodo geralmente tudo parava; fiz isto e eles dois me mandaram eu trancar a porta de uma sala junto com meu irmão dentro e não sair de lá. Após um tempo eu não ouço mais nada, saio da sala e vejo minha mãe desmaiada no chão, meu pai disse que ela tentou colocar o dedo na tomada e tomou um choque muito grande. Este ato fez com que minha mãe fosse implorar perdão de meus avós, os quais a acolheram e providenciaram o divórcio de meu pai. A minha guarda e de meu irmão ficaram com ela. Durante todo este processo era mais comum eu sequer ver meu pai, tenho poucas lembranças desta época, deve estar tudo reprimido. Mas minha vida fora dali era muito boa, tinha diversos amigos na escola, mesmo pequeno eu era centro da atenção das garotas, lembro que minha mãe mesmo sendo abusada e tendo pouco tempo me levava com meu irmão pra passear e afins (provavelmente tentando resgatar o pouco de inocência que ainda tinha). Minha vida acadêmica era de excelência, lia muito como passatempo, principalmente aquelas enciclopédias Barsa (tínhamos toda coleção e eu lia do começo ao fim). Meu pai me aplicava provas que ele criava sobre diversos conteúdos e se eu não acertasse sofria punimentos físicos, o que me fazia estudar e aprender muito rapidamente.
Após o divórcio meu pai fugiu com tudo de valor que eles haviam construído juntos, não só isso como contraiu diversas dívidas em nome da minha mãe. Graças a isto ela teve de trabalhar dobrado então eu ficava em casa sozinho, era obrigado a lavar a casa e fazer meus afazeres. Meus avós que como disse eram financeiramente bem estruturados (minha mãe em sua infância tocava piano em casa, desenhava e esculpia muito bem, e, teve acesso a ensino superior, algo raro para uma mulher do interior na época). Passei a ficar sozinho com meu irmão, o computador e a televisão haviam ficado. No começo fazia tudo o que devia, depois de um tempo eu passei a apenas assistir televisão e mexer no computador igual ao meu pai (não sei se foi um ato para fugir da minha realidade ou apenas algo que qualquer pessoa faria). Na época também tive diversos problemas de socialização, cheguei a entrar em diversas brigas na escola, inclusive uma vez quase matei uma pessoa (isto eu tinha uns 12 anos); eu sofria bullying por um grupo mais velho eles viam me enforcar no final da aula e eu saia correndo, um dia apenas um destes garotos veio sozinho me encher enquanto eu brincava com pedras, peguei uma lajota a arremessei contra ele, acertou a testa e abriu um buraco enorme (o garoto quase morreu de hemorragia). Este era filho de uma professora, como disse eu era inteligente na época, mas esta passou a me perseguir. Lembro até hoje de ter passado em primeiro lugar em um concurso nacional sobre astronomia que pegava desde a 4/5ª série não lembro em qual estava até o primeiro ano do ensino médio (estudei incessantemente tudo o que foi repassado possível cair no teste), a professora ao receber os diplomas entregou a todos que haviam passado e eu acabei ficando sem pois segundo ela colei na prova. A partir daí eu perdi todo gosto pelo estudo, e me afundei mais ainda no computador.
Isto nos traz aos dias de hoje. Não me esforcei desde aquela época em nada, sempre passei nas matérias por ter uma capacidade que eu considero um pouco mais elevada (desculpe se estou parecendo arrogante), literalmente não entregava trabalhos ou tarefas, até hoje na faculdade deixo de os fazer. Cheguei a jogar tênis onde meu professor disse que eu tinha potencial e um físico adequado, poderia jogar profissionalmente com esforço, simplesmente faltei quase todas aulas. Cursei também violão, espanhol, alemão, natação, etc (mesma história). No terceiro ano do ensino médio meu irmão estava cursando faculdade em outra cidade, eu estudando manhã, tarde e noite (o último por curso técnico de informática). Neste ano eu entrei em depressão (tinha também ataques de síndrome do pânico) e faltei tanto as aulas que reprovei por falta, engraçado que nos exames simulados estilo Enem eu sempre estava entre os 6 melhores da turma junto com pessoas que estudavam incessantemente, mesmo assim ninguém da coordenação veio socorro de mim ou de minha mãe. Meu irmão desistiu da faculdade e voltou para nossa casa. Cursei novamente o ensino médio e passei; escolhi ensino superior em Direito após ficar em dúvida entre história e filosofia (mas não queria ser professor) ou Ciências da Computação (mesmo curso que meu irmão estava fazendo, mas me afastei da ideia por medo de ficar igual meu pai).
Continuo sendo este cara relaxado que descrevi, não consigo me suceder em nada. Os trabalhos acadêmicos de apresentação eu me dou muito bem. Mas não tenho amigos na faculdade; tive relacionamentos com algumas meninas mas eu sempre me afastava a ponto de ainda ser virgem hoje aos 20 anos de idade. Peguei recuperação em Direito Penal pois não entreguei um trabalho valendo muita nota e tendo ido mal em uma prova, tinha que decorar muitos prazos e teorias, ou seja, investir tempo algo que sabemos que não faria. Tenho chance de pegar mais uma em Processo Civil – Recursos pelos mesmos motivos, a aula de hoje me fez perceber o quanto precisava desabafar. Além do mais eu percebi que meu encantamento era pela busca da Justiça, pra quem estuda Direito sabe que é um absurdo o que é feito com o Direito Positivo brasileiro, somos quase robôs em nosso cotidiano (a área Constitucional, filosófica e histórica me interessam bem mais, o motivo pelo qual não cursei estas é a pouca flexibilidade de carreira e os baixos salários {quero ser bem visto pelos demais}). Aos términos das aulas eu tenho que esperar a van que pego para ir a cidade vizinha na faculdade, faço isso me escondendo no banheiro e assistindo youtube ou navegando no reddit. Sempre balanceio minhas faltas para não reprovar, alguns términos de aula eu saio para caminhar na cidade e volto correndo para pegar a van a tempo. Ao chegar em casa estou tão estressado com minha vida merda, minha mãe idem com a dela, que eu fico extremamente irritado e chego a xingar ou ameaçar de vez em quando, então basicamente após todo este ciclo estou virando meu pai. Me recluso novamente no computador de casa. Eu acho que as pessoas da facul me veem como um cara esquisito, sem amigos, já tentei conversar com algumas, mas geralmente eu fico como algo a não se dar muita atenção sabe? Passei a nem tentar, a única coisa que eu me dedico na vida é vaidade, como perceptível na escrita deste texto; os exercícios físicos + alguns olhares que recebo de algumas meninas são a única coisa boa do meu dia (mas as que já me conhecem me enxergam como um cara chato e param de dar bola).
Nem sei o intuito do porque escrevi este texto. Acho que no meu íntimo tenho esperança de alguém me jogar uma luz; /brasil me socorra.
TL; DR: A vida inteira sofri por consequências principalmente que meu pai me trouxe, após um tempo percebi que estou me tornando igual a ele. Aos poucos vejo o fracasso que sou e tenho medo de não conseguir mudar isto.
Edit: A todos comentando sobre a busca de um psicólogo. No momento todo dinheiro que temos vai para a educação minha e do meu irmão. Sobra algo para de vez em quando fazer academia + aulas de guitarra também de vez em quando.No ano dos ataques fortes de transtornos que tive (+ reprovação) eu busquei tratamento psiquiátrico, implorei a minha família por isto. O que aconteceu foi que minha mãe nos levou a uma terapia conjunta que buscava tratamento "no amor". Me ajudou a me reconectar um pouco com ela já que nós não demonstramos afeto um pelo outro (eu não expliquei mas todo este processo fez com que ela se tornasse provedora, nunca parando em casa). Ela só quis o melhor de mim, mas acho que se eu tivesse aquela ajuda talvez estivesse em uma situação melhor. Mas eu não quero que vocês achem que a culpo, eu sei o quanto ela é foda!
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